Na ciência política contemporânea, o conceito de "Democracia Consensual" oferecido por Arend Lijphart propõe uma reflexão valiosa ao contrastar diretamente com as democracias de modelo majoritário. Nesses sistemas tradicionais, observa-se uma dinâmica onde quem obtém a maioria, mesmo que mínima, acaba governando com um poder quase total, muitas vezes excluindo as vozes minoritárias do processo decisório. Lijphart, por outro lado, demonstra que os sistemas políticos focados na "representatividade composicional" seguem um caminho institucional mais robusto.
Ao utilizarem mecanismos rigorosos de proporcionalidade, esses arranjos evitam que o poder se concentre em um único polo, exigindo negociação e compromisso. Na prática, isso cria um cenário que tende a ser mais estável, menos polarizado e muito mais eficiente na produção e manutenção de políticas públicas de longo prazo. O artigo fundamenta-se, portanto, na premissa de que a formação da ideologia e a representação popular autêntica não devem ficar à mercê de maiorias de ocasião. Pelo contrário, essas forças devem habitar exclusivamente um Poder Legislativo desenhado de forma estrita para operar como um verdadeiro microcosmo da nação, refletindo proporcionalmente todas as suas clivagens e pluralidades.