Vamos falar sobre o "mercado". O primeiro problema que encontramos
ao falar de mercado é a ideologia que está impregnada nessa palavra.
Mercado é no mais geral dos termos, a situação, lugar ou sistema onde as
pessoas interessadas em vender encontram as pessoas interessadas em
comprar.
Imagine uma situação em que uma pessoa chega em um
salão com uma bolsa cheia de Blocos A, esperando entregar esses blocos
em troca de coisas que essa pessoa precisa, como sustento e material
para o seu trabalho.
Como eu não estou falando em dinheiro?
Esse
é o primeiro problema com a ideologia impregnada na palavra "mercado".
Especificamente, qualquer que seja o tangível entregue em troca de um
tangível recebido, ele faz parte de um mercado. O dinheiro, ou mais
especificamente, a moeda utilizada é indiferente. Por acaso um mercado
moderno pode utilizar pedaços de papel escrito ou pedaços de metal
desenhado, mas seguem sendo ativos recebidos em troca de outros ativos.
Mas então, onde ficam as promessas? Os empréstimos? Os créditos em geral?
Essa
é a questão. O "mercado" é no mais simples dos seus entendimentos o
lugar, o sistema ou a estrutura onde aqueles que compram encontram
aqueles que vendem, ou vice-versa. A estrutura de débitos, créditos e
acordos é completamente independente do mercado, e é criada por um corpo
de governo.
Em termos simples, que parecem difíceis para as
pessoas entenderem: O mercado só pode fazer uso de moeda, crédito e
contratos porque existe um governo.
Pode ser um governo apenas
do mercado em questão, ou uma nação, uma cidade, um entreposto, ou um
território livre, tudo que excede o limite de um lugar, sistema ou
estrutura onde compradores e vendedores se encontram não é parte
obrigatória do mercado, mas estruturas criadas por poderes que controlam
o funcionamento do mercado através de um, ou mais, além de outros,
instrumentos como crédito, contratos e garantias.
Voltando para a história, o precedente que demonstra como essa estrutura aparece pode ser visto na antiga Ásia. Muito antes do Ocidente estruturar seus sistemas bancários, a Dinastia Tang (com o "dinheiro voador" ou feiqian) e, posteriormente, a Dinastia Song (com o jiaozi no século XI) já operavam engrenagens complexas de moeda escritural e compensação. Esses sistemas são iterações mais estruturadas de diversos sistemas mais antigos, com origem no que é o fundamento apresentado por Adam Smith, muito tempo depois: Aqueles que tem negociam aquilo que tem com os que desejam por aquilo que podem oferecer.
Voltando para a história, o precedente que demonstra como essa estrutura aparece pode ser visto na antiga Ásia. Muito antes do Ocidente estruturar seus sistemas bancários, a Dinastia Tang (com o "dinheiro voador" ou feiqian) e, posteriormente, a Dinastia Song (com o jiaozi no século XI) já operavam engrenagens complexas de moeda escritural e compensação. Esses sistemas são iterações mais estruturadas de diversos sistemas mais antigos, com origem no que é o fundamento apresentado por Adam Smith, muito tempo depois: Aqueles que tem negociam aquilo que tem com os que desejam por aquilo que podem oferecer.
É postulado que o
início do uso de formas de dinheiro remonta para uma época tão remota,
que é provavelmente anterior ao escambo formal. A origem de um mercado
mostra seus traços em sítios antes pensados religiosos, mas que sob um
novo escrutínio, parecem ser mercados pré-históricos onde grupos
trocavam favores para evitar conflitos por território e recursos. Uma
forma de evitar ter que arriscar seu território com recurso A em uma
guerra por um território com recurso B. Talvez o primeiro motor de união
"federal" em que grupos uniam-se para juntar recursos e prosperar sobre
outros grupos.
Mas o que quero dizer com isso é que o
"mercado" é uma consequência do governo. Ele só existe pois um terceiro
com poder coercivo pode garantir que o mercado exista, funcione e
perdure, como argumentava o Nobel de Economia Douglass North,
instituições fortes (criadas e garantidas pelo Estado) são o que permite
o desenvolvimento de mercados complexos.